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quinta-feira, 20 de março de 2008

Loucura


Como me tornei louca?
Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia
confeccionado e usado em sete vidas -
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim e alguns
correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado,
uma criança que tinha trepado ao telhado de uma casa gritou:
"É uma louca!".

Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:
"Benditos, bendito os ladrões que
roubaram as minhas máscaras!"

Assim me tornei louca.

E encontrei tanto liberdade
como segurança na minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendida, pois aquele desigual que nos
compreende escraviza alguma coisa em nós…


Fractal mask