No tempo de Newton, a metáfora para o Universo, era a de um relógio. O Universo era um mecanismo gigante, com rodas dentadas e leis imutáveis. Tudo se relacionava nessas engrenagens intrincadas com uma perfeição divina. Era o determinismo absoluto. A conclusão era óbvia. Onde existia um relógio, teria de existir um relojoeiro. Era inevitável. Darwin veio alterar isso tudo. A metáfora de Darwin era exactamente oposta. Não havia determinismo. Tudo era acaso e selecção natural. Não havia uma direcção preferencial, porque o divino deixava de ser necessário. A mecânica quântica veio reforçar o papel do acaso, por isso é que Einstein não gostava dela...
O corpo de conhecimento, conhecido como as ciências da complexidade, (que são a visão mais clara que temos hoje sobre o mundo), dão-nos hoje uma metáfora bem diferente. O Universo não é nem determinismo nem puro acaso. A nova metáfora poderia ser descrita como "Um processo criativo". A palavra "processo" captura o facto de ele ser orientado no tempo, do menos para o mais complexo e a palavra "criativo" reconhece que o acaso joga o seu papel, sendo impossível prever o futuro. Todo o Universo está em evolução e é um processo que desenvolve (ou desdobra) uma estrutura internamente coerente. As próprias leis físicas evoluem dentro desta estrutura e não são imutáveis, mas regularidades contingentes. Essa estrutura ao desdobrar-se cria novas qualidades ou propriedades emergentes, totalmente novas mas internamente coerentes entre si. As implicações filosóficas desta nova metáfora são evidentes. No meu ponto de vista, creio que fazermos todos parte de um processo criativo universal é uma metáfora profundamente humanista.