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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Da Criança...

A criança é criativa porque é crescimento e se cria a si própria. É como um rei, porque impõe ao mundo as suas ideias, os seus sentimentos e as suas fantasias. Ignora o mundo do acaso, pré-elaborado, e constrói o seu próprio mundo de ideais. Tem uma sexualidade própria. Os adultos cometem um pecado bárbaro ao destruir a criatividade da criança pelo roubo do seu mundo, sufocando-a com um saber artificial e morto, e orientando-a no sentido de finalidades que lhe são estranhas. A criança é sem finalidade, cria brincando e crescendo suavemente; se não for perturbada pela violência, não aceita nada que não possa verdadeiramente assimilar; todo o objecto em que toca vive, a criança é cosmos, mundo, vê as últimas coisas, o absoluto, ainda que não saiba dar-lhes expressão: mas mata-se a criança ensinando-a a limitar-se a finalidades e agrilhoando-a a uma rotina vulgar a que, hipocritamente, se chama realidade...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Jogo de Xadrez

É incrivel a forma como as crianças nos podem surpreender. É o caso do meu rebento de 5 anos que, após ter descoberto o xadrez (há duas semanas) não quer fazer mais nada e cada vez joga melhor. É, realmente, espantoso!!!
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E eu, que nunca tinha ligado muito ao xadrez, dei por mim a achar a história deste jogo muitissimo interessante:
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Há muitos séculos os gregos atacaram os troianos e cercaram a cidade de Tróia. A luta foi dura e os gregos não conseguiam derrotar os seus inimigos. O tempo passava e os troianos defendiam-se por todos os meios. Então Palamedes, chefe dos gregos, inventou um jogo, a Petteia, que prendeu a atenção dos soldados, já aborrecidos com a resistência do inimigo. Este jogo, segundo se julga, era uma espécie de xadrez e ganhou logo grande popularidade.

No entanto, nem todos aceitam Palamedes como criador do xadrez. Assim conta-se que foi na Índia que o jogo foi inventado por Sissa, ministro de um príncipe muito orgulhoso. Sissa resolvei dar uma lição ao seu senhor e provar-lhe que ele nada seria sem o apoio do seu povo. Depois de muito pensar o ministro inventou um jogo no qual o rei precisava do apoio de todas as outras peças para conseguir vencer o adversário. Encantado com o jogo que era o xadrez, o príncipe quis recompensar o inventor. Este pediu-lhe um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta e assim, sempre duplicando, até à última casa. O príncipe achou fácil satisfazer tal desejo, porém depressa viu que teria de dar a Sissa 18.446.744.073.709.551.615 grãos de trigo, o que equivalia a encher todos os continentes da Terra com searas. Então Sissa renunciou ao seu pedido - que sabia impossível - e explicou ao príncipe a ideia que tinha tido ao inventar o xadrez. Este cheio de gratidão nomeou-o seu primeiro ministro e conselheiro.
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Da Índia o jogo, que então se chamava Chaturanga, foi levado para a Pérsia onde ganhou muitos adeptos. Mais tarde, os árabes, ao conquistarem aquele país, ficaram de tal maneira entusiasmados com o jogo, que o trouxeram para a Península Ibérica, quando a invadiram. Daqui o xadrez espalhou-se para toda a Europa.

Foram os árabes que escreveram os primeiros livros exclusivamente dedicados ao xadrez e foram eles, também que compuseram os primeiros problemas de xadrez, pouco mais ou menos como aqueles que hoje vemos.

Aprendendo a jogar com os árabes, os habitantes da Península Ibérica desenvolveram muito a prática do xadrez. Os primeiros grandes jogadores são os espanhóis e um português.
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Foi um português que, em 1512, mais contribuiu para a modernização do xadrez, com um livro escrito em italiano «Libro da Imparare giocare a Scachi». Chamava-se este xadrezista Damião e era farmacêutico na vila alentejana de Odemira. Por este tempo, jogava-se muito xadrez em Portugal. Dizem os cronistas que D.João II levava sempre nas suas viagens um jogo portátil no qual as suas peças se espetavam no tabuleiro, com alfinetes, para não caírem com os solavancos que os carros puxados por cavalos davam nos caminhos mais difíceis dessa época...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ao meu filho

Tenho a felicidade incrível de ser mãe de um delicioso rebento de 5 anos que já se interessa por fractais (risos).

O texto introdutório de "Fractais: Uma nova visão da natureza", de Osame Kinouchi, cuja leitura aconselho vivamente, é uma excelente prova de que as crianças adoram e entendem os fractais (na sua forma mais abrangente possível) com uma facilidade extrema, como poderão ver no desenho abaixo.


“As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações.“ - Saint-Exupéry -

Fractal hexaedro

Se nas escolas se brincasse mais com formas, cores e sons,
Se as nossas crianças desenhassem mais,
Se a arquitectura, a pintura, a escultura, a música fizessem parte do nosso quotidiano,
Se o pensamento poético nos acompanhasse no dia-a-dia,
Se tudo isto e muito mais acontecesse decerto que as nossas... cidades seriam muito mais perfeitas…e nós também.

Só para ti Gonçalo, SeuOrkut.com.br, da mamã para o meu amor pequenino, um site - aqui - que tem um programa que faz desenhos malucos e com muuuuuitas cores. Mas és tu quem comanda as cores, o número de linhas e outras opções. Vamos divertir-nos imenso!

terça-feira, 11 de março de 2008

Ao meu amor pequenino

Conforme prometido: da mamã para o Gonçalo com muito amor!!!
Este coração é todo para ti! Eu amo-te meu querido!

Nos dias de hoje a turbulência está instalada de vez: é o fim das certezas, pequenas causas gerando grandes efeitos, imprevisibilidade, mudanças aceleradas e o novo a cada instante. Assistimos agora às certezas dos fundamentalistas religiosos, radicais de todas as matizes. Um capitalismo insensível, aliado às certezas de posições políticas radicais. Vivemos uma grande instabilidade, hoje inevitavelmente globalizada.
Para enfrentar este cenário, soluções antigas têm-se mostrado inócuas, superadas. Precisamos encontrar criativamente novas soluções, pois os problemas, ainda que antigos, revestem-se de novas configurações, acrescidos de novos acontecimentos e acelerada transformação.

Ora, ao observar as crianças, que desde o nascimento até a adolescência enfrentam o novo e o imprevisto a cada momento, que correm riscos, encaram dificuldades, mas caminham sempre para frente, podemos recolher um material precioso que poderá servir-nos como modelo para desenvolver nossas "atitudes adultas" diante da actual turbulência. Por quê não nos inspiramos nas crianças? Com o que as crianças contam para transpor barreiras e avançar? Que recursos elas têm desde o nascimento para crescerem e desenvolverem-se, para enfrentarem e sobreviverem num mundo totalmente desconhecido e imprevisível para elas? Elas contam basicamente com suas potencialidades inatas, principalmente os sentidos, que são os meios pelos quais se comunicam com o mundo exterior e interior. É através dos órgãos dos sentidos que a criança vai perceber o mundo e reagir a ele.

* A visão está sempre atenta e curiosa, cada vez mais aguçada à procura de formas, cores e movimentos.
* Pela audição os sons penetram e são captados em todas suas nuances, mesmo que a capacidade de traduzi-los por palavras ainda não esteja desenvolvida.
* O olfato vai se apurando e os aromas são percebidos nas suas diversas matizes.
* O paladar é o sentido que a criança exercita como ninguém, recusando com ênfase certos sabores e degustando outros com um prazer que atinge o corpo todo, integrado e uno.
* Único sentido presente ao longo do corpo todo, o tacto capta calor e frio, aspereza e suavidade, dureza e maciez, numa infinita gama de sensações cinestésicas.

Além dos sentidos, a criança também conta com a imaginação. Tão fértil nas crianças, a imaginação é uma capacidade que a educação clássica não tem estimulado e que muitas vezes fica de fora do mundo adulto. No entanto, o "faz de conta", é a fonte principal do brincar e do criar: tudo que foi criado, foi antes imaginado.

As emoções e os sentimentos, sempre presentes ao longo do corpo, interiorizado, às vezes exteriorizados.

A intuição, fruto do seu DNA e de sua curta história é também sua potencialidade, aliada a total integração corpo-mente, ou melhor, não desintegrados ainda, a uma flexibilidade natural e a reflexos para responder rapidamente a quaisquer estímulos.

São esses os recursos que devemos resgatar da nossa criança, qualquer que seja o meio em que estejamos inseridos: nas organizações, na família, no meio social, cultural, etc. Ser criança não é ser infantil, nem infantilizar o comportamento de maneira caricata. Ser criança é utilizar plenamente todas as nossas potencialidades inatas que por diversos motivos foram adormecendo ao longo da vida. Ser criança é estar diante das coisas como se fosse pela primeira vez, permitindo-se mergulhar no estranho e desconhecido, podendo fazer as perguntas mais ingénuas e "descabidas" e podendo reagir às situações de modo espontâneo, descomprometido e livre.

Ser criança é deixar-se penetrar pelo mundo através dos sentidos, sem pressa para dar respostas, sem fugir das perguntas e sem colocar o julgamento crítico em acção cedo demais. É poder simplesmente e, num primeiro momento, perceber, sentir e imaginar.

É com isso que contaremos para enfrentar um mundo turbulento e imprevisto, violento, hostil e competitivo, hoje e como sempre, injusto e desigual. E para isso, ser criança e optimista realmente facilita.

E agora, só para ti Gonçalo, SeuOrkut.com.brum site que tem um programa que faz desenhos malucos e com muuuuuitas cores. Mas és tu quem comanda as cores, o número de linhas e outras opções. Cuidado para não perderes o dia todo a brincar aqui... ah, e aproveita para ir aqui e aqui também ehehehe, vais adorar e vamos divertir-nos imenso, boa?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007