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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"DING AN SICH" ou outra coisa qualquer...

Segundo Kant nós fazemos parte de, em vez de percebermos a realidade. Ele afirmou que todos os nossos sentidos são filtrados pelo sistema nervoso, que nos fornece um retrato do que chamamos realidade. Na verdade, essa realidade não passa de uma quimera, uma ficção que surge dos conceitos e catalogações feitos pela mente. Conceitos são também a causa e o efeito, sequência, quantidade, espaço e tempo; são construções e não entidades, isto é, coisas ou factos que possam existir lá, na natureza.

Além disso, não podemos ver uma versão do que está lá, não temos como saber o que está realmente lá, ou seja, o que existe antes do nosso processo perceptivo e conceitual. Essa primeira entidade, que em alemão Kant chama de ding an sich (a coisa em si), está e precisa de estar para sempre desconhecida por nós.

Embora, por seu turno, Schopenhauer concorde que não podemos conhecer a coisa em si, acredita que podemos chegar mais perto dela do que acha Kant. E que Kant menosprezou uma grande fonte de informação do mundo perceptível (o mundo fenomenal): nosso próprio corpo! O corpo é um objeto material. Existe no tempo e no espaço. E nós temos um enorme e rico conhecimento do corpo que não vem através da percepção e da conceituação, mas de dentro, dos sentimentos.

Adquirimos um conhecimento através do corpo que não podemos conceituar e comunicar porque a maior parte de nossa vida interior é desconhecida para nós. A vida interior é reprimida e não pode ser consciencializada porque conhecer a nossa natureza mais profunda (nossa crueldade, medo, inveja, desejo sexual, agressividade, egoísmo) seria um peso maior do que poderíamos aguentar.

O tema parece conhecido? Faz lembrar aquela velha teoria freudiana do inconsciente, do processo primitivo, do id, repressão, auto-ilusão?...

Como compreendemos essas forças inconscientes? Como fazemos com que elas se comuniquem entre si? É que, na realidade, embora não possam ser conceituadas, podem ser sentidas…

E o que penso eu?  A Lyra pensa que tem um qualquer defeito quimico que a faz consciencializar demasiado a sua vida interior!

Mas, na (minha) realidade, eu já não sei (de) nada…

Alguém por aí sabe?!

Eu..., sem rumo...
Lyra

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Oceano Fractal


De repente nada à minha volta tem solidez, nada mais tem consistência, eu já não posso falar de coisa alguma como sendo real. Experiência sensorial muito diferente de tudo o que já vivi. Não é a calma ou o alvoroço, não é a fragmentação ou a unidade, não é a serenidade ou a angústia, não são trevas nem luzes, não é o vazio ou o cheio. De repente é o oceano, um oceano fractal, as ondas são formas geométricas, ângulos enormes que se erguem sobre mim e que reflectem e multiplicam as imagens como espelhos. Eu vejo-me por toda parte, aos pedaços, deformada, a pensar, a gritar, a rir, a chorar, fustigada pela ideia insana de que eu já não sei quem sou. E então descubro que o vazio também não existe. E que no lugar dele existo eu. E então vejo que o oceano também não existe. E que no lugar dele existem os outros..., outras …coisas…inenarráveis… É a viagem mais perigosa e mais dolorosa que já empreendi pelos caminhos da minha imaginação. Nunca senti tanto medo, tanta angústia e tanta confusão em toda a minha vida. E de repente passa (será ?!), como uma onda, uma onda das grandes, agora só ouiço o ruído distante dela quebrando-se na beira da praia. Estou ainda em alto-mar? Sim, é aqui que eu vivo e é para o infinito (seja ele o que for) que me dirijo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ela & Ele

Ele murmurou "que medo". Ela respondeu " eu não tenho medo" e abraçou-o.
Ele perguntou "tens a certeza?". Ela deu-lhe a mão.
Ele levou-a. E ela foi.
Ele disse "o que mais gosto em ti é a tua força". Ela sorriu.
Ele disse "vais arrepender-te". Ela não acreditou.
Ele abraçou-a. Ela deu-lhe o corpo.
Ele amou-a. Ela deu-lhe a alma.
Ele sugou-lhe a força. Ela deixou.
Ele viveu.
Ela morreu.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Abismo

Estava pra ler o olhar…
Acendeu um cigarro e pensou um pouco mais.
Queria ver até onde iria aquela situação.
Trinta minutos mais tarde via-se só, sem sequer saber o que se passara.
Abriu a janela para apanhar ar e assustou-se com o vento: Forte e fresco como nunca tinha reparado.
Pensou mais. Nada de sorrisos.
E os carros não pararam como ela tinha planeado. Nem as pessoas observavam abismadas o facto.
Não queria, mas o pé escorregou.
Viu-se, por alguns segundos, a flutuar.
E num som seco despediu-se da dor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

sábado, 15 de dezembro de 2007

A minha Avó Lígia morreu...


Aconteceu......
Abuelita!
Hei-se sempre ouvir a tua VOZ linda, açoreana
E fica a promessa mundana
De que por ti vou rezar
E que para sempre a ti vou adorar

Eu pensava que estava preparada, mas parece que para a morte Nunca se está preparado!
Ela NUNCA me tinha "batido à porta"... Não sei o que fazer, o que pensar...
Apenas me acontece OUVIR-TE minha querida! Com nitidez assustadora!
Quem te deu autorização para deixares a bengala? hum?
EU NÃO!!!!

O meu único consolo é saber que onde estás, certamente estarás melhor do que qualquer um de nós que para aqui anda!!!
Rezar...Queria rezar ..., muito !!! por ti abuelita!!!
Descansa em PAZ!!!! Minha querida...
Avó açoreana...


Morte que mataste Lira

Morte que mataste lira

Mata-me a mim que sou teu

Mata-me com os mesmos ferros

Com que a lira morreu


A lira por ser ingrata

Tiranamente morreu

A morte a mim não me mata

Firme e constante sou eu


Veio um pastor lá da serra

À minha porta bateu

Veio me dar por notícia

Que a minha lira morreu


A morte é, sem dúvida o mais definitivo PONTO DE NÃO RETORNO!


Runft!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!